Carros chineses no Brasil: marcas que estão em alta no mercado de usados (2025)

Chery, GWM, BYD e JAC ganham espaço nos seminovos. Veja prós e contras, desvalorização, peças, seguro e quais modelos chineses usados valem a compra.

Equipe Seu Carro Usado

8/27/20256 min read

Carros chineses usados no Brasil em destaque, BYD Dolphin, Chery Tiggo 8 e GWM Haval H6
Carros chineses usados no Brasil em destaque, BYD Dolphin, Chery Tiggo 8 e GWM Haval H6

Os carros chineses deixaram de ser coadjuvantes e hoje estão nas conversas de quem busca tecnologia, garantia extensa e bom pacote por preço competitivo. No mercado de usados, a história é ainda mais interessante: há oportunidades reais para quem quer equipamentos modernos por valores abaixo de rivais tradicionais — mas também armadilhas se você ignorar rede de assistência, histórico de manutenção e custo de reparos específicos.
Neste guia, vamos ao ponto sobre Chery, GWM, BYD e JAC: reputação, o que observar no seminovo e como aproveitar a fase de consolidação das marcas sem correr riscos desnecessários.

Por que os chineses cresceram — e o que muda ao virar “usado”

Três pilares explicam a ascensão:

  1. Custo-benefício: itens de série fartos (ADAS, painel digital, multimídia completa) em faixas de preço em que marcas tradicionais entregam menos.

  2. Garantias longas: ampliam a sensação de segurança para o primeiro dono e ajudam na revenda quando ainda há cobertura remanescente no seminovo.

  3. Eletrificação: os chineses lideram em elétricos e híbridos, e a tendência puxa todo o mercado para cima.

No usado, tudo isso continua relevante, mas entram novos fatores: rede de peças, mão de obra habituada aos sistemas eletrônicos e comportamento de desvalorização por marca/modelo. É aí que o comprador atento consegue achados — e evita aborrecimento.

Complementar: se você está cogitando um elétrico ou híbrido chinês de segunda mão, vale ler Carros elétricos no Brasil: modelos usados que valem a pena.

Chery (Caoa Chery): o “pé na porta” dos seminovos equipados

Por que atrai
A Chery (Caoa Chery) foi quem mais popularizou os SUVs chineses no Brasil recente. Os Tiggo costumam oferecer boa lista de equipamentos, acabamento evoluído nas últimas safras e motores competentes (1.5 turbo, 1.6 TGDi em versões mais caras).

Pontos fortes no usado

  • Equipamentos: multimídia completa, câmera 360° em algumas versões, bancos com ajustes elétricos, teto panorâmico e pacote ADAS em séries superiores.

  • Preço de entrada competitivo: muitas vezes, por menos dinheiro que rivais tradicionais, você leva um carro mais equipado.

  • Oferta razoável de unidades: isso facilita garimpar versão, cor e quilometragem que você quer.

Cuidados

  • Manutenção do turbo: verifique histórico de trocas de óleo no prazo e combustível utilizado. Peça inspeção do conjunto (jogo de turbina, mangueiras, intercooler).

  • Câmbio DCT/CVT (onde houver): teste em trajeto longo, frio/quente, ouvindo ruídos e avaliando suavidade. Fluido trocado no período certo é meio caminho para tranquilidade.

  • Rede e peças específicas: a oferta melhorou, mas em cidades menores alguns componentes podem demorar. Planeje.

Quem deve olhar com carinho

  • Famílias que querem SUV médio/candidato a 7 lugares por valor de compacto completo.

  • Quem preza conforto e pacote e aceita abrir mão de grife/tradição.

Leitura complementar direta: Tiggo 8 usado: o SUV de 7 lugares que surpreende.

GWM (Haval/Poer): híbridos em alta e sensação de “carro mais novo por menos”

Por que atrai
A GWM chegou com Haval H6 e família híbrida mandando no pacote: potência alta, consumo competitivo para a categoria e um nível de tecnologia embarcada que encostou em marcas premium nas versões topo.

Pontos fortes no usado

  • Powertrain híbrido (HEV/PHEV, conforme versão): custo por km baixo na cidade, rodagem suave e silenciosa.

  • Direção e ADAS: o conjunto de assistência (ACC, frenagem automática, manutenção de faixa) costuma ser acima da média dos rivais equivalentes na mesma faixa de preço.

  • Desvalorização inicial: como qualquer novidade, os primeiros donos absorvem a maior queda; como seminovo, pode virar baita oportunidade.

Cuidados

  • Atualizações de software: verifique boletins de campanha/recall e histórico de atualizações de módulos. Carros com ADAS e híbridos dependem disso para trabalhar no auge.

  • Bateria híbrida (estado geral): peça scaner e relatório de saúde. Não costuma dar problema com baixa quilometragem/tempo, mas você quer dados, não suposições.

  • Rede em expansão: evoluindo, porém ainda se consolidando; avalie onde você fará revisões.

Quem deve olhar com carinho

  • Usuário urbano/rodoviário que quer andar forte e gastar pouco no dia a dia.

  • Quem prioriza tecnologia e silêncio sem pagar preço de premium no 0 km.

BYD: elétricos e híbridos plug-in que viram “atalho” para quem quer tecnologia

Por que atrai
A BYD fez o que parecia improvável: popularizou elétricos com preço palatável e acabamento caprichado. No usado, isso se traduz em portas abertas para quem sempre quis EV/Híbrido plug-in, mas não topa preço de 0 km.

Pontos fortes no usado

  • Baterias com boa reputação (LFP em muitos casos): ciclo de vida longo e melhor tolerância a cargas parciais.

  • Custo por km: em elétricos, é campeão — especialmente para quem carrega em casa/condomínio.

  • Conteúdo: telas generosas, materiais acima da média, pacotes ADAS competitivos.

Cuidados

  • Infraestrutura de recarga: não é problema do carro, mas do uso. Considere seu acesso diário a tomada ou wallbox.

  • Garantia remanescente da bateria: verifique tempo/quilometragem que ainda resta; isso pesa muito no valor do usado.

  • Seguro: em alguns CEPs ainda pode ser acima da média; cote antes.

Quem deve olhar com carinho

  • Quem quer entrar no mundo elétrico com o menor risco possível, usando a depreciação a favor.

  • Motoristas que rodam bastante na cidade e podem carregar em casa.

Quer um mergulho só em BYD? Veja Carros BYD usados: vale a pena comprar?.

JAC: pioneira, oscila na revenda — bom garimpo pode compensar

Por que atrai
A JAC foi uma das primeiras a apostar forte no Brasil. Isso rende um acervo variado no mercado de usados, de hatches e sedãs a SUVs e comerciais leves — inclusive elétricos.

Pontos fortes no usado

  • Preço baixo de entrada em relação a equivalentes de outras marcas.

  • Pacote honesto de equipamentos nas safras recentes.

Cuidados

  • Revenda e rede podem oscilar por praça. Teste o pós-venda local (prazo de peça, custo/hora).

  • Avalie com lupa estado e histórico — é onde mora a diferença entre negócio excelente e dor de cabeça.

Quem deve olhar com carinho

  • Quem quer pagar menos em um carro bem equipado e aceita pesquisar mais (histórico, procedência e manutenção).

Impacto no mercado de usados: o que você precisa entender

  1. Desvalorização inicial x oportunidade
    Marcas novas tendem a cair mais nos primeiros anos. Para o comprado como 0 km, isso dói; para você que compra seminovo, vira vantagem: mais conteúdo por menos dinheiro.

  2. Pacote tecnológico leva vantagem
    Em dois anos, os chineses “entregam” o que alguns rivais tradicionais só oferecem nas versões topo. No usado, isso pesa na decisão — desde que a manutenção eletrônica esteja em dia.

  3. Rede e peças evoluindo
    A malha cresce ano a ano. Em capitais e grandes centros, a experiência já é fluida; em cidades menores, confirme antes onde vai revisar e quanto custa cada serviço típico (revisão de 40/60 mil km, freios, suspensão, fluido de câmbio).

  4. Seguro e perfil do motorista
    O perfil (CEP, idade, bônus) influencia mais que a marca. Ainda assim, em alguns modelos a precificação do seguro está em curva de aprendizado. Cote sempre.

Checklist rápido para avaliar um chinês usado

Documentação e histórico

  • Laudo cautelar aprovado, sem sinistro/recuperado.

  • Campanhas e recalls: confirme execução (nota/ordem de serviço).

  • Revisões carimbadas e, se híbrido/EV, relatório da bateria (SOH).

Diagnóstico eletrônico e ADAS

  • Passe scanner completo (módulo híbrido, ABS/ESP, airbag, ADAS).

  • Teste o ACC, frenagem autônoma, manutenção de faixa e alertas — em vias adequadas e com segurança.

  • Verifique câmeras/sensores: sujeira e mau alinhamento geram falso positivo.

Powertrain

  • Turbo/combustão: ruídos, fumaça, vazamentos, estado de mangueiras.

  • Híbrido/plug-in: transições suaves entre elétrico e combustão; sem trancos ou mensagens de alerta.

  • Elétrico: autonomia condizente com o SOH reportado; teste carregamento AC (e, se possível, DC).

Suspensão e freios

  • Faça teste em piso irregular e lombadas. Chiados e batidas secas podem indicar buchas/bieletas cansadas.

  • Cheque desgaste por dentro dos pneus (alinhamento/cambagem).

Conectividade

  • Atualize softwares do multimídia e verifique espelhamento (Android/CarPlay).

  • Teste todas as portas USB, Bluetooth e Wi-Fi, quando houver.

Custo total

  • Simule seguro, IPVA e uma revisão completa.

  • Se for elétrico/híbrido, some custo de recarga (perfil de uso + tarifa).

Dica bônus: se a ideia é SUV 7 lugares bem equipado com preço de médio, o Tiggo 8 costuma aparecer como “atalho”. Revise o guia: Tiggo 8 usado: o SUV de 7 lugares que surpreende.

Vale a pena comprar um chinês usado?

Sim — desde que você compre o carro certo para o seu uso.
Se você valoriza tecnologia, conforto, segurança ativa e acabamento acima da “grife” no capô, os chineses entregam muito no seminovo. Chery e GWM brilham em SUVs familiares com ótimo pacote; a BYD é o atalho para a eletrificação com interior caprichado; a JAC pode render negócios agressivos para quem faz uma vistoria exemplar.

O segredo é pragmático: confirmar rede, peças e histórico da unidade, usar scanner e pôr os ADAS para trabalhar no test drive. Se o seu trajeto combina com eletrificação, explore o nosso guia de modelos para entender autonomia e custos: Carros elétricos no Brasil: modelos usados que valem a pena.
Feito isso, você tende a levar para casa mais carro pelo mesmo dinheiro — e com sorriso de quem comprou com informação.

Leitura complementar

Interior de SUV chinês usado com painel digital e multimídia em destaque
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