Perigo real: Carros elétricos conectados são invadidos por hackers e expõem rotina dos donos; veja detalhes
Carros elétricos conectados tiveram falhas expostas em testes com GPS e microfone. Entenda os riscos e veja como proteger sua privacidade.
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Equipe Seu Carro Usado
10/1/20264 min read


Imagine entrar no carro, conversar sobre trabalho, comentar assuntos pessoais com a família e seguir viagem sem desconfiar de nada. Agora pense que alguém poderia acompanhar parte dessa rotina à distância, ouvindo conversas e descobrindo lugares frequentados. Parece coisa de filme, mas testes realizados em carros elétricos conectados revelaram vulnerabilidades preocupantes.
Uma investigação internacional com especialistas em cibersegurança colocou veículos modernos à prova e mostrou como uma invasão pode expor localização, microfones e informações ligadas ao celular do motorista. O alerta é importante porque, quanto mais conectado o automóvel se torna, maior é a quantidade de dados pessoais que passa por seus sistemas.
Carros elétricos conectados revelaram brechas preocupantes
Um dos testes envolveu uma BYD Shark, picape híbrida que ganhou espaço no mercado automotivo. Um especialista australiano em segurança cibernética analisou seu próprio veículo e, em menos de duas semanas de tentativas controladas, conseguiu ultrapassar algumas das barreiras digitais presentes no sistema.
A investigação apontou que determinadas camadas de informações não estavam protegidas por mecanismos suficientemente robustos. Explorando a central multimídia e os módulos de conectividade, o pesquisador conseguiu acessar recursos que normalmente deveriam permanecer protegidos contra interferências externas.
Entre as descobertas mais preocupantes estava a possibilidade de acompanhar a localização da picape e ativar o microfone interno do carro. Tudo isso poderia ocorrer sem um sinal evidente para quem estivesse dentro da cabine. O teste ainda apontou diferenças entre as proteções encontradas no veículo e sistemas usados por concorrentes, como a Tesla.


Microfone, GPS e celular ficaram ao alcance dos testes
Depois de acessar a rede interna, os especialistas verificaram até onde seria possível chegar. Foi nesse momento que perceberam que a exposição poderia envolver muito mais do que configurações da central multimídia. Informações sobre a rotina do motorista e recursos físicos do automóvel também entraram no teste.
Entre as possibilidades demonstradas estavam:
Localização via GPS: acompanhamento de trajetos, paradas, endereços frequentes e horários.
Microfone da cabine: captação de conversas e outros áudios produzidos dentro do veículo.
Assistente virtual: interação com o celular conectado para tentar acessar informações pessoais.
Comandos externos: acionamento de limpadores de para-brisa, faróis e iluminação do carro.
Há um detalhe importante. Os pesquisadores não conseguiram interferir em funções essenciais para a condução, como freios mecânicos ou direção. Mesmo assim, o experimento levantou preocupação sobre o que criminosos com mais tempo e recursos poderiam tentar explorar em sistemas semelhantes.


Xpeng G6 mostrou quantos dados um carro pode coletar
O problema não ficou restrito à BYD. Outra etapa da investigação envolveu o SUV elétrico Xpeng G6. Durante uma demonstração, um funcionário técnico ligado à fabricante mostrou informações que podiam ser acompanhadas remotamente enquanto o veículo circulava pelas ruas.
O nível de detalhes chamou atenção. Era possível visualizar a velocidade, o ângulo do volante, a regulagem dos bancos dianteiros e até o número de passageiros presentes naquele momento. São informações capazes de revelar não apenas onde o motorista está, mas também aspectos bastante específicos do que acontece dentro do veículo.
A Xpeng afirma que seus softwares não permitem imobilizar carros remotamente e que nunca repassou dados de clientes estrangeiros para governos. Ainda assim, a demonstração evidenciou o enorme volume de telemetria produzido por automóveis modernos e reacendeu a discussão sobre como esses dados são armazenados, utilizados e protegidos.
Como proteger sua privacidade nos carros elétricos conectados
No Brasil, o assunto merece atenção diante do crescimento dos veículos híbridos e elétricos equipados com internet, Bluetooth, aplicativos, comandos de voz e atualizações remotas. Esses recursos facilitam bastante a rotina, mas também fazem com que mais informações pessoais circulem pelos sistemas do automóvel.
O primeiro cuidado é manter as atualizações de software OTA sempre em dia, já que elas podem corrigir vulnerabilidades descobertas depois da fabricação. Também é recomendado ativar a autenticação de dois fatores nas contas dos aplicativos da montadora e revisar as permissões concedidas ao sistema multimídia.
Vale ainda evitar a sincronização automática de toda a agenda do celular e ter atenção ao conectar aparelhos corporativos com informações sensíveis. Quanto menos dados desnecessários forem compartilhados com o veículo, menor será a exposição em caso de uma eventual falha.
No fim, a tecnologia transformou o automóvel em um verdadeiro computador sobre rodas. E isso muda também os cuidados do motorista: além de manutenção e segurança física, privacidade e proteção digital passam a fazer parte da rotina de quem dirige um carro conectado.
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