O raio-x da eletrificação: levantamento detalha os melhores e piores lugares do Brasil para ter um carro elétrico
Descubra os melhores e piores lugares do Brasil para ter um carro elétrico e veja quais cidades surpreendem no ranking de eletrificação.
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Equipe Seu Carro Usado
10/19/20264 min read


Ter um carro elétrico no Brasil pode ser uma experiência completamente diferente dependendo da cidade onde você mora. Enquanto alguns municípios já apresentam uma concentração impressionante desses veículos, outros ainda não registraram sequer um automóvel totalmente elétrico. E o mais curioso é que essa diferença nem sempre acompanha o tamanho ou a localização das cidades.
Um levantamento que cruza dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) com estimativas populacionais do IBGE revela um país dividido. Apesar dos recordes de vendas, impulsionados por incentivos fiscais e novos lançamentos, a eletrificação avança em velocidades muito diferentes. Os resultados mostram surpresas no ranking e desafios que vão muito além da compra de um veículo.
Fernando de Noronha surpreende e lidera o ranking nacional
Quando pensamos em cidades com muitos carros elétricos, é natural imaginar grandes capitais. Mas o levantamento revela uma liderança inesperada: Fernando de Noronha, em Pernambuco, ocupa o primeiro lugar na proporção de veículos totalmente elétricos por habitante.
No arquipélago, existe aproximadamente um carro elétrico para cada 43 moradores. Para comparar, a média brasileira é de um veículo para cada 639 habitantes. Isso significa que Noronha apresenta uma concentração quase quinze vezes superior à registrada nacionalmente.
Só que existe um detalhe importante por trás dessa liderança. Apesar da presença expressiva de automóveis elétricos, o arquipélago ainda depende fortemente de uma usina termelétrica movida a óleo diesel para produzir eletricidade. Assim, embora os veículos não emitam gases pelo escapamento, parte da energia utilizada na recarga continua associada a combustíveis fósseis.
Esse paradoxo mostra que a sustentabilidade dos carros elétricos também depende da origem da energia, e não apenas da tecnologia utilizada nos automóveis.


Pequenas cidades aparecem entre os destaques da eletrificação
Outro resultado interessante envolve municípios que dificilmente seriam lembrados como referências em mobilidade elétrica. São Jorge do Patrocínio, no Paraná, e Pinhal, no Rio Grande do Sul, aparecem entre os destaques proporcionais do levantamento.
Nesses casos, lotes concentrados de emplacamentos ajudam a explicar as posições alcançadas. Como a população é relativamente pequena, uma quantidade limitada de veículos pode representar uma participação expressiva no ranking.
Entre os principais destaques apresentados pelo estudo estão:
Fernando de Noronha (PE): um elétrico para cada 43 habitantes.
Eusébio (CE): destaque na adoção de veículos elétricos no Nordeste.
Brasília (DF): importante polo de eletrificação fora do Sudeste.
São Jorge do Patrocínio (PR) e Pinhal (RS): municípios beneficiados proporcionalmente por emplacamentos concentrados.
Mas aparecer bem colocado não significa necessariamente possuir uma infraestrutura completa. A quantidade de veículos registrados e a disponibilidade de pontos de recarga são indicadores diferentes, que precisam ser analisados separadamente.


O contraste entre capitais e interior revela desigualdades
Enquanto algumas localidades avançam, outras permanecem praticamente fora da transformação automotiva. A região Norte concentra a maior proporção de municípios sem carros totalmente elétricos emplacados, com destaque para o Pará.
O cenário é especialmente difícil nas cidades pequenas. Segundo o levantamento, mais de 40% dos municípios brasileiros com menos de 5 mil habitantes ainda não possuem veículos totalmente elétricos registrados.
Um exemplo curioso aparece em Santo Antônio do Descoberto, em Goiás. Mesmo fazendo divisa com o Distrito Federal, uma das regiões mais eletrificadas do país, o município aparece como o maior de Goiás sem emplacamentos de elétricos no período analisado.
Essa diferença entre localidades vizinhas evidencia como renda, infraestrutura e acesso à tecnologia influenciam diretamente a expansão da mobilidade elétrica. Estar perto de uma capital não garante as mesmas condições para seus moradores.
Infraestrutura de recarga será decisiva para o futuro
O mercado brasileiro de veículos eletrificados continua crescendo, impulsionado por lançamentos e incentivos fiscais. Entretanto, o aumento das vendas de elétricos e híbridos não significa que todas as regiões estejam preparadas para receber essa frota.
Um dos maiores desafios está na expansão dos eletropostos rápidos, especialmente fora das capitais e dos centros de maior renda. Sem investimentos distribuídos pelo território nacional, muitas cidades continuarão enfrentando dificuldades para acompanhar essa mudança.
Os dados da ABVE mostram que a eletrificação brasileira já apresenta avanços importantes, mas ainda está concentrada em determinados locais. Para ampliar esse acesso, será necessário melhorar a infraestrutura e reduzir as barreiras econômicas.
No fim, o futuro dos carros elétricos no Brasil dependerá de fazer essa tecnologia chegar também ao interior. E na sua cidade, já existem pontos de recarga suficientes para tornar essa escolha viável?
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