Nova tecnologia da Honda quer carregar carros elétricos direto no asfalto a 120 km/h
Honda quer carregar carros elétricos pelo asfalto a 120 km/h. Veja como a tecnologia funciona e quando começam os testes.
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Equipe Seu Carro Usado
10/6/20263 min read


Imagine viajar de carro elétrico pela rodovia sem precisar parar para recuperar parte da bateria. Em vez de procurar uma estação, conectar um cabo e esperar, bastaria continuar dirigindo. O próprio asfalto faria parte do trabalho, enviando energia para o veículo enquanto ele segue viagem.
É justamente essa possibilidade que a Honda pretende colocar à prova. A fabricante japonesa trabalha em uma tecnologia capaz de carregar veículos elétricos em movimento, inclusive a 120 km/h. Mais do que facilitar viagens, a ideia pode ajudar a resolver dois obstáculos importantes da eletrificação: baterias pesadas e carros ainda caros.
Honda quer transformar o asfalto em carregador
A Honda se uniu à construtora Taisei para liderar um consórcio dedicado ao desenvolvimento do chamado carregamento sem fio dinâmico. A previsão é que os primeiros testes práticos em vias expressas comecem por volta do final de 2027, levando a tecnologia para condições próximas daquelas encontradas no trânsito real.
O sistema utiliza indução magnética instalada sob o asfalto. Placas e bobinas incorporadas à pista transferem energia para o veículo enquanto ele passa pelo trecho preparado, eliminando naquele momento a necessidade de cabos ou paradas em estações convencionais.
Um dos pontos mais curiosos é justamente a velocidade. O objetivo dos engenheiros é permitir que a transferência aconteça mesmo quando o automóvel estiver trafegando a até 120 km/h, algo essencial para que a solução possa ser utilizada em rodovias sem obrigar o motorista a reduzir drasticamente a velocidade.


Tecnologia pode permitir baterias menores e mais leves
A proposta não nasceu apenas para tornar a recarga mais confortável. Existe uma questão econômica por trás dela. Atualmente, oferecer boa autonomia exige grandes pacotes de baterias, que adicionam peso e ajudam a aumentar significativamente o custo de produção dos veículos elétricos.
Com estradas capazes de fornecer energia durante determinados momentos da viagem, a Honda acredita que os carros poderiam utilizar baterias menores e mais leves. Isso reduziria a quantidade de células necessárias e poderia diminuir tanto o peso quanto os custos envolvidos na fabricação.
A lógica é que o automóvel não precisaria armazenar sozinho toda a energia necessária para percorrer longas distâncias se pudesse recuperá-la pelo caminho. Taku Ueda, engenheiro chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Honda e líder do projeto, aponta essa infraestrutura como uma possibilidade para ampliar os horizontes da mobilidade elétrica.
Os principais pontos da tecnologia são:
Recarga em movimento: energia transferida sem cabos ou paradas.
Até 120 km/h: sistema pensado para funcionar em velocidade rodoviária.
Baterias menores: possibilidade de reduzir peso e custos dos elétricos.


Nem todas as estradas receberiam a tecnologia
Transformar rodovias inteiras em enormes carregadores seria extremamente caro e complexo. Por isso, o plano não é instalar o sistema indiscriminadamente. A estratégia inicial envolve identificar trechos específicos de alto fluxo nos quais o investimento realmente possa trazer benefícios.
Outro desafio está escondido justamente onde a tecnologia será instalada. Os módulos precisarão resistir durante anos ao peso de carros e caminhões, além das condições normais enfrentadas pelo pavimento. A meta mencionada no projeto é chegar a aproximadamente dez anos de durabilidade, evitando manutenções frequentes.
Essa resistência será fundamental para determinar a viabilidade econômica da proposta. Afinal, não basta conseguir transmitir eletricidade para um carro em movimento. O sistema também precisa funcionar por bastante tempo sem transformar a manutenção das rodovias em um problema ainda maior.
Frotas comerciais podem experimentar a novidade primeiro
Caso o projeto avance, os primeiros beneficiados provavelmente não serão motoristas comuns. A estratégia inicial deverá priorizar frotas comerciais e veículos logísticos, que passam muitas horas nas rodovias e normalmente percorrem trajetos mais previsíveis.
Para essas empresas, equipar determinados corredores pode ser mais interessante do que eletrificar centenas de quilômetros de estrada. Essa primeira aplicação também serviria para observar custos, eficiência e resistência do sistema em condições intensas de utilização antes de uma expansão maior.
Os testes previstos para 2027 ainda representam apenas um primeiro passo. Mesmo assim, a aposta da Honda apresenta uma mudança interessante de perspectiva: em vez de depender exclusivamente de baterias cada vez maiores, o próprio caminho poderia ajudar a abastecer o veículo. Se a tecnologia provar que funciona fora dos laboratórios, o asfalto poderá assumir um papel totalmente novo na era dos carros elétricos.
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