Peugeot 504 GD: A caminhonete "linda e confortável" (só que não) que carregava 1.300 kg
Peugeot 504 GD marcou época ao carregar 1.300 kg com motor diesel resistente. Descubra por que virou lenda mesmo sem conforto.
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Equipe Seu Carro Usado
7/3/20263 min read


Você já imaginou uma caminhonete com apenas 70 cv, direção pesada, quase nenhum equipamento de conforto e um barulho de motor que invadia toda a cabine... mas que mesmo assim virou referência entre comerciantes, produtores rurais e feirantes? Parece contraditório, mas foi exatamente isso que aconteceu com a Peugeot 504 GD 2.3 Diesel. Importada da Argentina durante os anos 1990, ela conquistou fama pela robustez e pela impressionante capacidade de carga de 1.300 kg, superando até algumas caminhonetes médias atuais. O curioso é que, apesar de ser lembrada com carinho por muitos proprietários, seu conforto estava longe de justificar tanta nostalgia.
A caminhonete francesa que conquistou o Brasil pelo trabalho pesado
A Peugeot 504 Pick-Up chegou oficialmente ao Brasil no início da década de 1990, aproveitando a abertura das importações. Enquanto a maioria das picapes compactas transportava entre 500 kg e 700 kg, a francesa oferecia praticamente o dobro da capacidade, tornando-se uma solução extremamente interessante para pequenos empresários, feirantes e trabalhadores rurais que precisavam carregar muito gastando pouco.
Seu maior trunfo era o conhecido motor 2.3 diesel aspirado (XD2), que entregava apenas 70 cv e 13,7 kgfm de torque. Os números parecem modestos atualmente, mas a proposta nunca foi velocidade. O conjunto privilegiava durabilidade e economia, características que fizeram muitas unidades ultrapassarem facilmente a marca dos 300 mil quilômetros sem grandes intervenções mecânicas.


Conforto? Definitivamente não era o ponto forte da 504 GD
Quem olha a Peugeot 504 hoje pode imaginar uma caminhonete confortável por causa da suspensão relativamente macia. Na prática, essa impressão desaparecia assim que o motorista entrava na cabine. O acabamento era extremamente simples, o isolamento acústico praticamente inexistia e o ronco característico do motor diesel acompanhava toda a viagem.
Os bancos eram básicos, revestidos em tecido ou vinil, e o espaço interno também não impressionava. A lista de equipamentos seguia a mesma filosofia de simplicidade: velocímetro, marcador de combustível, temperatura do motor, ventilação e ar quente. Direção hidráulica e ar-condicionado existiam apenas em poucas unidades ou eram instalados posteriormente por oficinas especializadas.
Mesmo assim, alguns atributos fizeram a fama da caminhonete:
Capacidade de carga de 1.300 kg, superior a diversas rivais da época.
Motor diesel extremamente resistente e econômico.
Tração traseira, ideal para transportar carga pesada.
Suspensão eficiente, principalmente quando a caçamba estava carregada.
Mecânica simples, com manutenção relativamente fácil para os padrões da época.
Por que ela vendeu tão bem e depois desapareceu?
Durante boa parte dos anos 1990, a Peugeot 504 GD encontrou um mercado praticamente sem concorrentes diretos. Era uma caminhonete robusta, diesel e relativamente acessível para quem precisava trabalhar diariamente. Isso explica por que ela se tornou tão comum em feiras, propriedades rurais e pequenos negócios espalhados pelo país.
O cenário começou a mudar com a chegada de modelos como Chevrolet S10, Ford Ranger e outras caminhonetes mais modernas. Os consumidores passaram a exigir motores mais potentes, direção hidráulica, cabine dupla, ar-condicionado e maior conforto para o uso diário. O projeto da 504, criado ainda nos anos 1970, simplesmente não conseguiu acompanhar essa evolução e acabou deixando o mercado brasileiro em 1999, quando também foi encerrada sua produção na Argentina.
Hoje virou peça de coleção e ainda desperta respeito
Mais de duas décadas após sair de linha, a Peugeot 504 GD continua despertando interesse entre colecionadores e antigos proprietários. Ainda é possível encontrar exemplares trabalhando no interior do país, enquanto unidades restauradas aparecem em anúncios por valores bastante superiores aos praticados anos atrás. Dependendo do estado de conservação, os preços podem variar de aproximadamente R$ 10 mil até mais de R$ 25 mil, mostrando que o modelo conquistou um público fiel.
O mais curioso é que boa parte dessa valorização não acontece pelo conforto ou pelo desempenho. Pelo contrário. A 504 GD ficou marcada justamente por ser uma caminhonete extremamente simples, lenta e barulhenta. Seu legado nasceu da confiabilidade mecânica, da capacidade de transportar 1.300 kg sem reclamar e da fama de veículo praticamente indestrutível. Em uma época em que caminhonetes modernas apostam em luxo e tecnologia, ela permanece como um símbolo de um tempo em que trabalhar duro era muito mais importante do que oferecer sofisticação.


