A GM deu a ideia e a Volks copiou: Polo a etanol vai custar menos que os rivais flex
Polo 100% etanol pode ter motor 1.6 de 116 cv e preço abaixo dos rivais flex. Entenda a estratégia da Volkswagen.
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Equipe Seu Carro Usado
9/1/20263 min read


Depois de mais de duas décadas de domínio dos carros flex, parecia improvável que as montadoras brasileiras voltassem a apostar em veículos abastecidos exclusivamente com etanol. Só que a Chevrolet enxergou uma oportunidade, colocou o Onix Eco no mercado e mostrou que retirar a gasolina da equação pode ajudar justamente onde o consumidor mais sente: no preço.
A Volkswagen percebeu o movimento. Protótipos do Polo Track 100% etanol foram flagrados em testes no interior de São Paulo, indicando que a marca prepara sua resposta. O mais curioso é que o hatch deverá recuperar um conhecido motor 1.6 e, mesmo assim, tentar custar menos que concorrentes flex com motores menores.
Chevrolet mostrou que a conta poderia funcionar
A estratégia começou com a General Motors aproveitando as mudanças trazidas pelo programa Mover, Mobilidade Verde e Inovação. Em vez de desenvolver um motor completamente novo, a fabricante recalibrou seu conhecido 1.0 turbo de três cilindros para funcionar exclusivamente com etanol.
O resultado foi o Chevrolet Onix Eco, com 121 cv e câmbio automático de seis marchas. Mas o número que realmente chamou atenção foi outro: R$ 99.990. O carro chegou custando menos até que uma configuração manual flex aspirada da própria linha.
Na prática, a GM mostrou que um automóvel dedicado ao combustível vegetal pode aproveitar vantagens tributárias e chegar competitivo às lojas sem depender de um conjunto mecânico mais simples. Foi uma experiência que naturalmente chamou a atenção das concorrentes, principalmente da Volkswagen.


Um velho motor 1.6 pode voltar ao Polo
Para responder, a Volkswagen escolheu um caminho inesperado. Em vez de adaptar o atual 1.0 MPI de 84 cv, decidiu resgatar o motor 1.6 16V MSI, de quatro cilindros, que deixou de ser oferecido no Polo brasileiro em 2022.
Há uma razão prática para isso. A fábrica de Taubaté, em São Paulo, já produz o Polo Track equipado com o 1.6 a gasolina para exportação a outros países latino americanos. Portanto, a estrutura industrial existe e pode ser aproveitada na versão dedicada ao etanol, reduzindo custos de desenvolvimento.
A configuração esperada mostra como a Volkswagen pretende posicionar o hatch:
116 cv de potência e 16,1 kgfm de torque;
câmbio manual de cinco marchas para reduzir custos;
preço planejado para ficar abaixo dos R$ 100 mil.
Se a estratégia for confirmada, o Polo terá desempenho superior ao atual 1.0 de entrada sem necessariamente cobrar mais por isso.


IPI Verde é o segredo por trás dessa estratégia
Mas como um Polo 1.6 a etanol pode ficar mais barato que rivais flex 1.0? A explicação passa pelo chamado IPI Verde e pela nova lógica tributária associada ao Programa Mover.
Em vez de considerar somente fatores tradicionais, como a cilindrada, as novas regras dão importância ao ciclo de vida do veículo e à sua pegada de carbono. Nesse cenário, automóveis desenvolvidos exclusivamente para utilizar biocombustíveis recebem tratamento tributário mais favorável.
De acordo com as informações apresentadas no texto de referência, modelos flex convencionais partem de uma alíquota base de 6,3%, enquanto veículos dedicados ao biocombustível podem recolher 5,8% de imposto industrial.
Meio ponto percentual parece pouco olhando apenas para um automóvel. Quando a diferença é aplicada a milhares de unidades produzidas, porém, surge uma margem importante. É justamente esse espaço que pode ajudar as fabricantes a reduzir o preço final nas concessionárias.
Etanol pode chegar também à futura picape Tukan
A estratégia da Volkswagen não deve terminar no Polo. O motor 1.6 dedicado ao etanol também é apontado para a futura picape compacta da fabricante, conhecida provisoriamente como projeto Tukan.
Com cabine simples, ela deverá mirar principalmente frotistas, empresas do agronegócio e usinas canavieiras do interior paulista e do Centro Oeste. Para esse público, a disponibilidade do combustível vegetal pode tornar a proposta ainda mais interessante.
E aquela dificuldade para ligar antigos carros a álcool no frio? A tecnologia evoluiu. Sistemas modernos de injeção e aquecimento individual dos bicos ajudam a eliminar um dos inconvenientes mais lembrados dos modelos de décadas passadas.
Chevrolet e Volkswagen podem, portanto, estar iniciando uma nova corrida no mercado nacional. Desta vez, a fórmula mistura etanol, motores mais potentes, incentivos tributários e preços abaixo dos R$ 100 mil. Se a estratégia funcionar, o combustível que parecia ter perdido protagonismo poderá voltar a disputar espaço entre os carros mais acessíveis do Brasil.
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