Preço de carro zero: O que faz o último Civic Si aspirado custar R$ 160 mil hoje em dia?
Entenda por que o último Honda Civic Si aspirado virou raridade no Brasil e já aparece por até R$ 160 mil nos anúncios.
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Equipe Seu Carro Usado
5/18/20264 min read


Tem alguma coisa acontecendo com o mercado de esportivos usados no Brasil. E o melhor exemplo disso talvez seja o Honda Civic Si 2015. Afinal, como um cupê de quase 10 anos consegue aparecer em anúncios entre R$ 150 mil e R$ 160 mil, valores próximos — ou até superiores — a muito carro zero atual?
A resposta passa por nostalgia, raridade e uma característica que praticamente desapareceu do mercado: um motor aspirado de verdade. Enquanto quase todas as marcas correram para os turbos menores e eletrificação, o Civic Si 2015 virou uma espécie de cápsula do tempo da era mais purista da Honda. E isso fez o modelo virar objeto de desejo entre entusiastas.
O Civic Si 2015 foi o último “VTEC raiz” vendido no Brasil


Muita gente não percebe, mas o Civic Si 2015 marcou oficialmente o fim de uma era. Foi o último Civic Si aspirado vendido por aqui antes da Honda migrar para os motores turbo na geração seguinte. E isso mudou completamente a personalidade do carro.
O modelo que veio ao Brasil era importado do Canadá e usava o famoso motor K24Z7, um 2.4 aspirado com cerca de 206 cv e quase 24 kgfm de torque. Nada de turbo enchendo cedo ou torque artificial. O prazer aqui vinha do giro alto, da resposta imediata do acelerador e do clássico comportamento dos motores VTEC.
E talvez seja exatamente isso que faça tanta gente pagar caro hoje. Porque dirigir um Civic Si desses entrega uma sensação mecânica que os esportivos modernos começaram a perder.
O K24 deixou o Civic Si mais rápido — e mais utilizável
Existe uma discussão eterna entre fãs da Honda: K20 ou K24? O antigo Civic Si nacional, vendido entre 2007 e 2011, tinha o lendário 2.0 K20 que girava acima das 8.000 rpm e praticamente “explodia” quando o VTEC entrava.
Já o Si 2015 mudou a proposta. O K24 aumentou o torque em baixa e média rotação, deixando o carro muito mais rápido no uso real. O 0 a 100 km/h acontecia em menos de 8 segundos, mas o que impressionava mesmo era como ele respondia instantaneamente em qualquer retomada.
Claro, alguns puristas reclamaram. O novo motor tinha menos gritaria mecânica e um corte de giro mais baixo. Só que, no dia a dia, ele ficou muito mais gostoso de dirigir. Era um carro que conseguia ser civilizado no trânsito e extremamente divertido quando a estrada abria.


O câmbio manual e o diferencial fazem parte da mágica
Hoje em dia, encontrar um esportivo manual já virou raridade. Agora imagine um esportivo manual, aspirado e com diferencial autoblocante mecânico. Pois é exatamente isso que o Civic Si 2015 entrega.
O câmbio de 6 marchas tem engates curtíssimos e extremamente precisos, aquele tipo de troca que praticamente virou assinatura da Honda. E junto dele vinha um diferencial LSD helicoidal, que ajudava o carro a “puxar” nas curvas sem sair de frente como muitos dianteiros potentes da época.
Na prática, isso fazia o Si parecer mais conectado ao motorista do que muitos esportivos atuais cheios de eletrônica. O carro comunicava tudo. Direção, câmbio, suspensão… parecia que cada peça trabalhava junto para deixar a experiência mais envolvente.
E talvez seja justamente essa sensação analógica que esteja sumindo do mercado atual.
A raridade ajudou o preço a explodir
Tem outro ponto importante nessa história: o Civic Si 2015 praticamente virou item de coleção no Brasil.
O modelo veio importado em quantidade muito limitada e teve vendas baixíssimas quando era zero. Na época, muita gente achava loucura pagar mais de R$ 120 mil em um cupê manual de duas portas. Hoje, ironicamente, isso virou exatamente o que faz o carro valer tanto.
Os anúncios mais caros normalmente são de exemplares totalmente originais, pouco rodados e sem preparação pesada. Já carros modificados costumam aparecer um pouco abaixo da FIPE porque muitos compradores procuram justamente a originalidade.
E existe um detalhe curioso: boa parte dos donos atuais não vende o carro por necessidade. Eles seguram porque sabem que dificilmente a indústria vai fabricar algo parecido novamente.
O Civic Si 2015 virou um símbolo de uma era que acabou
Talvez o maior motivo para o Civic Si custar R$ 160 mil hoje seja simples: ele representa algo que não existe mais.
Um carro relativamente leve, aspirado, manual, com giro alto, sem excesso de filtros eletrônicos e construído numa época em que a diversão vinha mais da engenharia mecânica do que dos números de potência. Isso ficou raro. Muito raro.
Enquanto os esportivos modernos ficaram mais rápidos e tecnológicos, o Civic Si 2015 virou quase um manifesto da velha escola japonesa. E quando um carro consegue despertar esse tipo de emoção, o preço deixa de fazer sentido racional.
Porque no fim das contas, quem compra um Si desses hoje não está levando só um Honda para casa. Está comprando uma sensação que a indústria praticamente abandonou.


