Um carro zero por hora: Enquanto o lucro da GM despenca, o salário da CEO dispara para US$ 24 mil
Lucro da GM despenca enquanto Mary Barra chega a US$ 24 mil por hora. Entenda os números que chamaram atenção no setor automotivo.
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Equipe Seu Carro Usado
9/26/20264 min read


Imagine entrar no trabalho pela manhã e, apenas uma hora depois, já ter recebido dinheiro suficiente para comprar um carro zero-quilômetro. Parece uma comparação feita para causar espanto, mas ela ajuda a dimensionar os valores envolvidos na remuneração de Mary Barra, CEO da General Motors. Em 2025, a executiva alcançou cifras que chamaram atenção até dentro da milionária indústria automobilística.
A remuneração total chegou a US$ 48,2 milhões, considerando salário, bônus e premiações em ações. Traduzido para uma jornada convencional, isso representa aproximadamente US$ 24 mil por hora trabalhada. O número já seria impressionante sozinho, mas ganha outro peso porque apareceu justamente em um período no qual o lucro líquido da GM sofreu uma forte queda.
Mary Barra chegou aos US$ 48,2 milhões
O levantamento de remuneração corporativa realizado pela Equilar em parceria com a Automotive News colocou Mary Barra, CEO da General Motors, no centro das atenções. Os US$ 48,2 milhões recebidos no período representam praticamente o dobro do ciclo anterior e colocam a executiva à frente dos principais dirigentes das montadoras norte-americanas citados no estudo.
Quando os milhões são transformados em comparações do cotidiano, fica mais fácil entender a dimensão desse pagamento. Considerando a jornada tradicional de expediente, Barra recebeu cerca de US$ 24 mil por hora, valor comparável ao necessário para comprar um Chevrolet Trax novo nos Estados Unidos.
Algumas contas tornam a diferença ainda mais evidente:
US$ 24 mil por hora trabalhada, aproximadamente um carro novo a cada 60 minutos;
cerca de US$ 5,5 mil por hora do ano, incluindo noites, folgas e finais de semana;
em oito horas de expediente, seria possível comprar um Cadillac Escalade-V e ainda ter dinheiro disponível;
a remuneração corresponderia a aproximadamente US$ 8 por veículo faturado pela GM.


Lucro da GM seguiu pelo caminho contrário
O dado que torna a história ainda mais curiosa está no desempenho financeiro da própria montadora. Enquanto a remuneração de Barra avançou 61% de um ano para outro, favorecida por premiações acionárias e metas internas de longo prazo, o lucro líquido consolidado da General Motors caiu de maneira expressiva.
Segundo os números apresentados no material original, o lucro líquido da GM passou de US$ 6 bilhões em 2024 para US$ 2,7 bilhões em 2025, uma redução de aproximadamente 55%. Assim, de um lado aparece uma empresa ganhando menos; do outro, sua principal executiva alcançando uma remuneração recorde.
Isso também mostra como os pacotes destinados aos grandes executivos podem seguir critérios diferentes do resultado líquido anual. Ações, bônus e objetivos estabelecidos pelo conselho podem considerar metas de longo prazo, fazendo com que a remuneração cresça mesmo quando determinados indicadores financeiros recuam.


Outros executivos ficaram bem atrás
A comparação com os concorrentes ajuda a colocar os US$ 48,2 milhões de Mary Barra em perspectiva. Jim Farley, CEO da Ford, recebeu US$ 16,7 milhões, valor que representou uma retração de 39% em relação ao período anterior. RJ Scaringe, da Rivian, apareceu com US$ 12,4 milhões em remuneração imediata, além de incentivos condicionados a resultados futuros.
Antonio Filosa, que assumiu a Stellantis em maio, registrou US$ 6,4 milhões. Fora das montadoras tradicionais, entretanto, aparecem cifras ainda maiores. Jensen Huang, da Nvidia, liderou o levantamento mais amplo com US$ 153 milhões, enquanto Revathi Advaithi, da Flex, chegou aos US$ 48,8 milhões.
Já Elon Musk registrou remuneração direta imediata nula em 2025 no levantamento. Isso não significa ausência de incentivos financeiros, pois o executivo mantém pacotes históricos de opções vinculados ao cumprimento de metas futuras, com valores potenciais extremamente elevados.
Do escritório executivo para a linha de montagem
É no chão de fábrica que a comparação ganha uma dimensão ainda mais fácil de visualizar. Segundo dados do Bureau of Labor Statistics apresentados no material, um trabalhador da linha automotiva recebe em média cerca de US$ 28 por hora. A diferença para os US$ 24 mil calculados por hora de expediente da CEO é enorme.
O levantamento aponta ainda que o crescimento mediano da remuneração dos CEOs do setor desacelerou para 11%, depois de alcançar 35% em 2024. A média anual ficou em aproximadamente US$ 16,7 milhões, mostrando que salários milionários continuam comuns nos cargos mais altos dessa indústria.
Em um setor pressionado pela transição para veículos elétricos, mudanças na demanda, cortes de despesas e demissões, essas diferenças devem continuar alimentando discussões. No caso de Mary Barra, porém, uma comparação resume bem a dimensão dos números: uma única hora de trabalho equivale aproximadamente ao preço de um carro novo.
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