Por que os postos Shell criariam um carro elétrico? Conheça o revolucionário Triple 10

A Shell criou um carro elétrico? Conheça o Triple 10, o conceito que promete recarga em menos de 10 minutos e pode mudar o futuro dos EVs.

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Equipe Seu Carro Usado

6/30/20264 min read

Protótipo elétrico Shell Triple 10 estacionado em posto Shell
Protótipo elétrico Shell Triple 10 estacionado em posto Shell

Quando você pensa na Shell, provavelmente imagina postos de combustíveis, lubrificantes ou plataformas de petróleo. Afinal, durante décadas a empresa construiu sua reputação justamente em torno dos combustíveis fósseis. Por isso, a notícia de que a companhia apresentou um carro elétrico deixou muita gente confusa. Afinal, por que uma gigante do petróleo investiria tempo e dinheiro no desenvolvimento de um veículo que, teoricamente, reduziria o consumo dos seus próprios produtos? A resposta é muito mais interessante do que parece. Na realidade, a Shell não pretende virar montadora. O Triple 10 Challenge Concept Car nasceu para demonstrar uma tecnologia que pode mudar a forma como os carros elétricos são construídos e carregados no futuro.

O Triple 10 não é um carro para vender, mas um laboratório sobre rodas

Apesar de ter chamado atenção pelo visual futurista, o Triple 10 nunca foi pensado para disputar espaço com Tesla, BYD ou qualquer outra fabricante. O conceito foi desenvolvido em parceria com empresas especializadas em engenharia automotiva, como RML Group, Empel Systems e HORIBA MIRA, servindo como uma vitrine tecnológica para mostrar como um gerenciamento térmico inteligente pode transformar a eficiência dos veículos elétricos.

O próprio nome Triple 10 representa as três metas estabelecidas pelos engenheiros durante o desenvolvimento do projeto:

  • Recarga de 10% a 80% em menos de 10 minutos (9 minutos e 54 segundos);

  • Eficiência energética de 10 km por kWh, cerca de 30% superior à média atual;

  • Pegada máxima de 10 toneladas de CO₂ durante todo o ciclo de vida do veículo, incluindo fabricação, uso e descarte.

A proposta é provar que o futuro da eletrificação não depende apenas de baterias maiores, mas principalmente de soluções mais inteligentes para controlar temperatura, peso e consumo de energia.

Traseira 3/4 do Shell Triple 10 Challenge em estúdio com piso espelhado e adesivos oficiais.
Traseira 3/4 do Shell Triple 10 Challenge em estúdio com piso espelhado e adesivos oficiais.

O segredo está na bateria mergulhada em líquido

A grande inovação apresentada pela Shell está escondida dentro do conjunto de baterias. Nos carros elétricos convencionais, as células são resfriadas indiretamente por placas metálicas atravessadas por líquido refrigerante. No Triple 10, a lógica muda completamente: as células ficam totalmente imersas em um fluido dielétrico, desenvolvido pela própria Shell, que não conduz eletricidade.

Essa solução permite retirar calor diretamente das baterias, mantendo a temperatura de funcionamento abaixo dos limites críticos mesmo durante recargas extremamente rápidas. Na prática, isso evita o superaquecimento e reduz a necessidade de diminuir automaticamente a potência durante o carregamento.

Outro detalhe chama atenção. Enquanto muitos elétricos precisam de carregadores ultrarrápidos acima de 300 kW para alcançar tempos inferiores a dez minutos, o Triple 10 consegue atingir esse resultado utilizando carregadores de aproximadamente 175 kW, graças justamente à eficiência do sistema de resfriamento.

Fluido Shell Recharge sobre o Triple 10 em posto Shell, destacando a tecnologia da bateria.
Fluido Shell Recharge sobre o Triple 10 em posto Shell, destacando a tecnologia da bateria.

Mais leve, mais eficiente e com menos impacto ambiental

A bateria não foi a única preocupação dos engenheiros. Todo o projeto foi pensado para reduzir peso, aumentar eficiência e diminuir a emissão de carbono durante sua vida útil. Em vez de simplesmente instalar um conjunto enorme de baterias, a equipe buscou reduzir o consumo energético do veículo.

Entre as soluções adotadas estão:

  • Bateria aproximadamente 25% menor, reduzindo o uso de lítio e cobalto;

  • Circuito único de refrigeração, atendendo bateria, motor elétrico e inversores;

  • Estrutura em alumínio e fibra de carbono reciclada;

  • Aerodinâmica extremamente refinada, com formato de gota, rodas fechadas e câmeras substituindo retrovisores.

O resultado é um veículo capaz de percorrer mais quilômetros utilizando menos energia. Isso significa menor necessidade de matérias-primas, menor peso total e maior eficiência energética durante toda a vida útil do automóvel.

Calculadora de avaliação Seu Carro UsadoCalculadora de avaliação Seu Carro Usado
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Por que isso interessa tanto à Shell?

A resposta é simples: o verdadeiro produto não é o carro, mas sim a tecnologia. Há anos a Shell investe bilhões na expansão de soluções ligadas à transição energética. Enquanto continua registrando recordes de produção de petróleo no pré-sal brasileiro, a empresa também amplia investimentos em eletrificação, lubrificantes especiais, infraestrutura de recarga e novos fluidos para veículos elétricos.

O Triple 10 funciona como uma demonstração prática desse conhecimento. Em vez de fabricar automóveis, a Shell pretende mostrar às montadoras que seus fluidos dielétricos podem tornar os carros elétricos mais eficientes, reduzir o tamanho das baterias e acelerar significativamente o carregamento.

Se essa tecnologia realmente chegar aos modelos de produção nos próximos anos, o impacto poderá ser enorme. Baterias menores significam veículos mais leves, custos reduzidos e menor dependência de minerais críticos. Ou seja, o carro apresentado pela Shell talvez nunca chegue às concessionárias, mas as soluções desenvolvidas nele têm potencial para aparecer em diversos elétricos da próxima geração.

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